domingo, 20 de agosto de 2017

Desastroso!

Quando se pensava que o Vitória ia (tentar) reagir à derrota sofrida na Amoreira, eis que aparece um Sporting pragmático e consistente ao ponto de construir uma goleada no Estádio D.Afonso Henriques. 0-5 foi o resultado final. Algo desastroso, frustrante, impensável e imperdoável.

Liga NOS: Vitória SC x Sporting
Foto: ZeroZero

O conjunto orientado por Pedro Martins alinhou de início com: Miguel Silva, Sacko, Pedro Henrique, Marcos Valente, João Aurélio, Celis, Zungu, Hurtado, Hélder Ferreira, Raphinha e Texeira. A goleada começou a ser construída desde muito cedo. O golo madrugador de Bruno Fernandes, a mais de trinta metros da baliza, foi acusado em demasia pela formação vitoriana. Os conquistadores não conseguiam criar perigo junto da baliza leonina e foi através de um lance de bola parada (21') que Bas Dost apareceu livre de marcação no coração da área e cabeceou para o 2-0. Dois minutos depois, Fábio Coentrão - que provocou os vitorianos nos festejos do segundo golo, exaltando os ânimos - apareceu sozinho na esquerda do ataque dos leões, assistindo o ponta de lança holandês para o terceiro golo da partida. A equipa orientada por Jorge Jesus deixou de pressionar muito, permitindo que a formação vitoriana pudesse respirar um pouco. Porém, os remates de fora da área de Hurtado e de Raphinha não foram suficiente para assustar o guardião Rui Patrício. Antes do intervalo, Miguel Silva ainda evitou o quarto golo do Sporting. Se era verdade que na época passada o Vitória tinha precisado de apenas quinze minutos para transformar um 0-3 em 3-3, desta vez até teríamos bem mais tempo para repetir o feito, porém, tal não viria a acontecer.
Na segunda parte, o Vitória até entrou razoavelmente bem. Celis e Raphinha, com remates à entrada da área, estiveram muito perto de reduzir a desvantagem de três golos de modo a fazer renascer a esperança vitoriana. Após um erro do lateral Piccini, Hurtado recuperou a bola e ficou na cara de Rui Patrício, mas infelizmente o peruano não teve a astúcia necessária para converter aquela oportunidade em golo. Pedro Martins não esteve bem nas substituições ao lançar Rafael Miranda e Sturgeon para os lugares de Zungu e Hurtado quando decorria o minuto 57', contudo, perante os elementos de que dispunha no banco de suplentes não se podia pedir muito mais... À passagem do minuto 60', depois de correr alguns metros com a bola sem qualquer pressão, Bruno Fernandes teve espaço para fazer outro grande remate de fora da área que só parou dentro da baliza de Miguel Silva. Um golo que, por si só, sentenciava a partida. Mas nem por isso os milhares de adeptos do Vitória presentes no estádio deixaram de apoiar a sua equipa, como se o jogo ainda estivesse 0-0. Pedro Martins ainda lançou Rafael Texeira a jogo, retirando Hélder Ferreira, na tentativa de marcar o tento de honra, mas desde o quarto golo que o Vitória não mais ameaçou a baliza leonina. Bruno Fernandes ainda esteve perto do hat-trick mas a trave impediu que tal acontecesse. Não foi o médio de 22 anos, foi o de 28. Adrien Silva tabelou com Iuri Medeiros dentro da área e, com enorme facilidade, fez o quinto golo dos leões, num lance em que o setor defensivo vimaranense ficou a ver navios. O guardião Miguel Silva ainda impediu que Gelson ampliasse a vantagem já em cima do minuto 90'. Também ao cair do pano, Texeira ficou a pedir outro penalty. O primeiro por alegada falta de Bas Dost no inicio da segunda parte, o segundo por um suposto toque do central Coates já em tempos de desconto. A verdade é que ambos os lances suscitam dúvidas e, embora o primeiro lance até tenha acontecido quando o jogo estava em 0-3, a arbitragem de Hugo Miguel em nada está relacionada com a derrota sofrida pelos conquistadores.
Em quatro jogos oficiais, o Vitória sofreu três derrotas com treze golos sofridos e apenas quatro golos marcados. E de facto é algo atípico termos sofrido dez golos em três jogos a contar para o campeonato. Quanto mais "abre olhos" serão necessários para evidenciar a certeza de que não temos um plantel à altura daquilo que (inicialmente) se exigia para esta época? Um plantel curtíssimo de opções para uma equipa que vai disputar, pelo menos, seis jogos de competições europeias. Ainda vamos a tempo de recuperar deste mau arranque de época e, para isso, temos uma dezena de dias para nos reforçarmos até ao fecho do mercado. Para já, o onze não está à altura do nosso doze! Isto dói, e acreditem que não é lindo.

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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Desencontrados...

Na visita à Amoreira, os conquistadores foram derrotados pelo Estoril por três bolas a zero num jogo com várias expulsões e com polémica à mistura. A falta de atitude e a falta de reforços preenchem o lote de explicações para este resultado. Os erros pagam-se caro e os adeptos que fizeram centenas de quilómetros a um dia de semana mereciam mais...muito mais!


Estoril-V. Guimarães, 3-0 (crónica)
Foto: MaisFutebol

Em relação ao onze inicial da primeira jornada, Pedro Martins decidiu alterar apenas uma peça do puzzle com David Texeira a ocupar a posição de Óscar Estupiñán. À semelhança do jogo de quinta-feira, o Vitória apresentou-se muito intranquilo nos minutos iniciais. A diferença é que frente ao Chaves essa intranquilidade só se apoderou da equipa durante um curto espaço do tempo. Desta vez, foi durante todo o jogo. Allano e Kleber estiveram perto de marcar para a equipa da casa. Mas foi Pedro Monteiro que, à passagem do minuto 19', inaugurou o marcador. Na sequência de um pontapé de canto, Miguel Silva falhou a abordagem à bola - com alguma influência do vento que favoreceu o Estoril no primeiro tempo - e o central português cabeceou para o fundo das redes. A formação vitoriana tentou responder através de Raphinha, após um bom passe de Hurtado, mas o remate saiu ao lado da baliza de Moreira. Antes desse lance, um jogador do Estoril parece ter cortado a bola com o braço dentro da grande área numa disputa com Celis, mas o VAR não interviu. Depois de ter visto um cartão amarelo aos 25', Wesley fez uma entrada imprudente sobre Hurtado aos 38' que lhe valeu o segundo amarelo e consequente expulsão.
O Vitória foi para o intervalo a perder por 1-0, mas com a expetativa de que poderia beneficiar de vários fatores no segundo tempo, desde a superioridade numérica ao facto de jogar em favor do vento e de atacar para o lado onde estavam os cerca de 300 vitorianos. Porém, num curto espaço de tempo, tudo mudou. Aos 49', João Vigário viu o segundo cartão amarelo e recebeu ordem de expulsão. Isto já com Óscar Estupiñán em campo após ter substituído Zungu, perspetivando-se um 4-4-2 que deixou de o ser. Nesse sentido, Pedro Martins viu-se obrigado a colocar Sacko em campo, com Hélder Ferreira a ser o sacrificado. Quando nada o fazia prever, eis que Josué comete uma grande penalidade. Sacko errou clamorosamente ao efetuar um lançamento, entregando a bola a Kléber. Os centrais do Vitória foram apanhados de surpresa e Josué acabou por recorrer à falta dentro da grande área. Carlos Xistra, numa primeira instância, admoestou o central português com um cartão amarelo, no entanto, acabou por recorrer ao video-árbitro e concluir que o ideal seria transformar o cartão amarelo em vermelho direto. O Vitória ficava então reduzido a 9 elementos e a ver Kléber a ampliar a vantagem na transformação da grande penalidade. Cenário cada vez mais complicado para a formação de Pedro Martins. Raphinha - o mais inconformado - ainda tentou assustar Moreira com duas excelentes oportunidades, inclusive apontando o primeiro (e único!) remate do Vitória à baliza durante todo o jogo. Texeira foi substituído por Rafael Miranda de modo a minimizar os estragos defensivamente, porém, os conquistadores viriam a sofrer o terceiro golo. Na seguimento de um lance que poderia (e deveria) ter dado uma grande penalidade a favor do Vitória, a equipa de Pedro Emanuel voltou a aproveitar-se de uma falha de Sacko para aumentar a vantagem com um bis de Kléber. E o VAR voltou a não intervir num lance que favorecia a formação vitoriana... Mas a verdade é que o 3-0 podia ter sido transformado num possível 2-1 e isso mudaria, certamente, o rumo do jogo, mesmo com a formação vitoriana em inferioridade numérica.
Apesar de tudo, a arbitragem não pode e nem deve servir de desculpa. O Vitória só se pode queixar de si próprio visto que os erros individuais persistem sempre que jogamos fora de portas. Ainda para mais numa equipa que, na época passada, pontuou mais a jogar fora do que em casa. A falta de atitude foi patente neste jogo, mas não é só isso que nos falta. Faltam, também, reforços. Nomeadamente para as laterais que são o nosso maior problema. Para o próximo jogo, frente ao Sporting, não vamos poder contar com Josué e João Vigário, duas baixas de peso no setor defensivo, bem como Konan que continua lesionado e, consequentemente, fora das opções de Pedro Martins.

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

O Castelo ainda abanou...

Na jornada inaugural da I Liga, o Vitória recebeu e venceu o GD Chaves por 3-2. Apesar de um mau inicio de jogo, os conquistadores protagonizaram uma exibição convincente, tendo dominado praticamente toda a partida. A formação vitoriana recompôs-se após a derrota na Supertaça e até chegou a ameaçar uma goleada das antigas, no entanto, os dois golos apontados pelos transmontanos nos últimos minutos da partida fizeram abanar o castelo...


Foto de Vitória Sport Clube.
Foto: Vitória Sport Clube

A equipa orientada por Pedro Martins alinhou com: Miguel Silva, João Vigário, Pedro Henrique, Josué, João Aurélio, Celis, Zungu, Hurtado, Hélder Ferreira, Raphinha e Óscar Estupiñán. O Vitória apresentou-se muito intranquilo nos minutos iniciais perante um Chaves confortável e seguro na gestão da posse de bola, bem como na criação de desequilíbrios. As oportunidades de Bressan e Matheus Pereira foram o espelho disso mesmo. E foi então que a formação vitoriana acordou e começou a sacudir a pressão flaviense. Os cabeceamentos de Pedro Henrique (17') e de Hurtado (23') saíram a rasar o poste direito da baliza transmontana. Trinta segundos depois do falhanço do peruano, eis que aparece Zungu a apontar o primeiro golo do Vitória no campeonato. Os conquistadores souberam pressionar os seus oponentes quando estes tentavam sair a jogar, após a cobrança de um pontapé de baliza. Zungu foi oportuno, tabelou com Hurtado e apareceu na cara de Ricardo, inaugurando o marcador. Poucos minutos depois, Hurtado descobriu Estupiñán que, na cara do guarda-redes, acabou por atirar ao lado. Tal foi a forma como o Chaves acusou o golo que a formação liderada por Luís Castro voltou a errar com uma perda de bola no meio campo. No seguimento da recuperação de bola, e fruto de uma excelente jogada coletiva, surge o segundo golo ao minuto 31'. Raphinha oferece a bola a João Aurélio e este assiste Hurtado para o 2-0. Antes do intervalo, Estupiñán dispôs de outra excelente oportunidade para marcar após uma escorregadela de Nuno André Coelho mas voltou a vacilar em posição privilegiada.
Na segunda parte, um pouco mais do mesmo. O Vitória continuava a carregar e não tirava o pé do acelerador. Logo a abrir, Hélder Ferreira, à entrada da área, tentou a sua sorte. Dois minutos depois, João Aurélio foi tocado dentro da área e pediu-se penalty no Estádio D.Afonso Henriques. Luís Godinho mandou seguir, mesmo depois das indicações fornecidas pelo vídeo-árbitro. O terceiro golo parecia uma questão de tempo. E assim foi... Após uma nova recuperação de bola, Hurtado entregou a bola a Raphinha e o brasileiro não tremeu na hora do remate. Estava feito o 3-0 aos 59'! Os conquistadores não desistiam e persistiam. À passagem do minuto 68', o peruano Hurtado, após cruzamento de João Vigário, enviou a bola ao poste mesmo com a baliza escancarada. Quando tudo parecia estar a roçar a perfeição, eis que o Chaves reentra no jogo com dois golos de William na reta final da partida (80' e 88'). No primeiro lance, Matheus Pereira cruzou para a área e o ponta de lança correspondeu com um cabeceamento certeiro. Oito minutos depois, foi a vez de Josué falhar uma abordagem à bola devido a uma escorregadela, permitindo que William bisasse na partida e chegasse a abanar o castelo. Durante o período em que o Vitória atravessou mais dificuldades, Hélder Ferreira, Hurtado e Óscar Estupiñán saíram para dar lugar a Xande Silva, Rafael Miranda e Rafael Martins, respetivamente. Felizmente, o resultado não mais se alterou, mas fica o aviso, apesar de terem sido dois golos sofridos de forma completamente desnecessária. Bem como o sofrimento dos 20 mil adeptos presentes nas bancadas do Estádio do Rei que, mesmo depois de mais um troféu perdido, corresponderam em número (e em apoio!) no arranque do campeonato. Pedro Martins e Luís Castro reconheceram a justiça do resultado.
Curiosamente, e à semelhança do que tinha acontecido em Trás-os-Montes, num jogo a contar para o campeonato realizado em meados de abril, os flavienses também se encontravam a perder por 3-0, mas acabaram por marcar dois golos nos minutos finais, assustando os conquistadores. É caso para dizer que esta foi uma autêntica fotocópia desse jogo. Segue-se mais uma batalha. Na próxima segunda-feira, o Vitória desloca-se à Amoreira para uma partida que será disputada a partir das 19h. Mesmo a um dia de semana, é certo que não vai faltar apoio à formação vitoriana!

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domingo, 6 de agosto de 2017

Erros (in)evitáveis?

O Vitória perdeu a Supertaça para o SL Benfica ao ter sido derrotado por 3-1 num jogo de cariz solidário a favor dos bombeiros, sendo que os golos, remates, cantos, ataques e cruzamentos rendiam quantias entre os 100 e os 5000 euros. Contas feitas, foram doados cerca de 120 mil euros. Para a história, fica mais uma final perdida, frente a um adversário que estava fragilizado devido à pré-época realizada, mas que mesmo assim conseguiu vencer. Um jogo que ficou marcado por erros de arbitragens - que nem sequer foram corrigidos pelo vídeo-árbitro - mas também por erros individuais dos conquistadores...e não só.


Supertaça Benfica x Vitória SC

A formação orientada por Pedro Martins entrou mal e à passagem do minuto 6' já se encontrava a perder. Pizzi cruzou da direita, Miguel Silva impediu que a bola chegasse a Seferovic, mas acabou por entregá-la a Jonas, que inaugurou, assim, o marcador. No entanto, há que realçar dois momentos no lance do golo, ambos com Seferovic como protagonista. O primeiro quando o ponta de lança suiço cometeu uma falta sobre Marcos Valente no duelo aéreo. O segundo quando, a passe de Pizzi, o mesmo jogador se encontrava em posição de fora de jogo. É certo que a bola não caiu nos pés do jogador suiço, mas o contexto do lance implicou que Miguel Silva se fizesse à bola e consequentemente acabasse por entregar o ouro ao bandido. Decorria o minuto 11' quando Zungu escorregou na zona do meio campo, permitindo que Pizzi isolasse Seferovic e este, na cara de Miguel Silva, atirasse para o 2-0. À semelhança do que tinha acontecido em maio, quer na Luz, quer no Jamor, o Vitória voltou a sofrer dois golos num período de cinco minutos. Logo a seguir pediu-se penalty na área encarnada por mão de Salvio. Pouco depois, Jonas e Jardel foram autores de duas entradas por trás muito perigosas que mereciam, no mínimo, um cartão amarelo. Raphinha, de livre direto, tentou surpreender Bruno Varela por duas vezes. O guardião Miguel Silva ainda impediu que Salvio e André Almeida ampliassem a vantagem, em dois lances praticamente seguidos. Os cerca de 8 mil vitorianos presentes em Aveiro mostravam-se incansáveis no apoio à equipa, mesmo com uma desvantagem de dois golos no marcador. Aos 36 minutos, Hélder Ferreira também apareceu na cara de Varela, após passe de Rafael Martins, numa jogada bem desenhada, no entanto, o extremo português não conseguiu finalizar da forma como pretendia. Não foi aos 36', foi aos 42'. A jogada partiu de trás, a bola mudou de flanco três vezes num curto espaço de tempo e foi então que João Aurélio cruzou para a área, Hélder Ferreira impediu que a bola saísse pela linha de fundo e Raphinha apareceu solto, ao segundo poste, cabeceando para o fundo das redes. Um golo em cima do intervalo que fazia renascer a esperança de todos os vitorianos!
A segunda parte começou com um ritmo intenso, de parte a parte, ainda que com um ascendente do Vitória que ia em busca do empate. Tal foi o caudal ofensivo... Na cobrança de um livre, à passagem do minuto 48', Zungu esteve perto de empatar com um cabeceamento a passar ao lado da baliza encarnada. Dez minutos depois, o falhanço da noite! Raphinha foi até à linha de fundo e assistiu Hurtado que se encontrava em perfeitas condições para fazer o golo do empate, após uma péssima abordagem defensiva do Benfica. Infelizmente, na cara de Bruno Varela, o peruano rematou contra o seu próprio pé, perdendo-se uma excelente oportunidade para empatar a partida. Seferovic e Jonas ainda tentaram assustar o guarda-redes Miguel Silva. Logo de seguida, e ainda só com 16 minutos decorridos no segundo tempo, Hélder Ferreira rematou de longe, obrigando o guardião encarnado a fazer uma excelente defesa. A partir daí, o ritmo da partida baixou gradualmente. Além disso, as substituições só foram feitas nos minutos 73' e 81'. Hélder, Hurtado e Aurélio foram substituídos por Sturgeon, Estupiñàn e Xande Silva respetivamente. E foi precisamente no momento em que o Vitória arriscou tudo...que tudo foi por água abaixo. Com menos um defesa em campo, Pizzi aproveitou um péssimo passe de Raphinha na zona central, assistiu Jimenez e o mexicano atirou para o 3-1 final.
Mais uma final perdida! E frente à mesma equipa. Ainda assim, importa realçar um aspeto bem notório fora das quatro linhas: a paixão dos vitorianos pela sua cidade e pelo seu clube que, mesmo em desvantagem no marcador, não se cansaram de puxar pela equipa. No final do jogo não lhes viraram as costas, bem pelo contrário. Até porque, para nós, pouco importa se ficamos em primeiro. Porque nesta vida, mais que tudo, amamos o símbolo que defendemos todos os dias. Porque nós sabemos que dói, mas também sabemos que é lindo. Afinal de contas, grandes são aqueles que não precisam de títulos para arrastar multidões.

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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Triunfo moralizador

No último jogo de pré-epoca, a formação vitoriana surpreendeu o Sporting com um triunfo por três bolas a zero, numa partida disputada em Rio Maior. Ao contrário do que tinha acontecido no duelo de domingo frente ao FC Porto, o Vitória entrou bem no jogo e soube aproveitar os erros do adversário, tendo protagonizado uma exibição sólida e segura.


Foto de Vitória Sport Clube.

O conjunto orientado por Pedro Martins alinhou de inicio com Miguel Silva, João Aurélio, Moreno, Marcos Valente, Vigário, Celis, Zungu, Hurtado, Hélder Ferreira, Raphinha e Estupiñán. Decorria o minuto 14' quando Estupiñán recebeu a bola à entrada da área e rematou com força para o fundo das redes. Poucos minutos depois foi a vez de Hurtado aproveitar uma falha do setor defensivo leonino e aparecer na cara de Beto, atirando para o segundo golo. A meio da primeira parte, o ponta de lança colombiano recuperou uma bola e quando estava prestes a seguir isolado em direção à baliza, eis que Coates comete uma falta e vê o vermelho direto. No entanto, foi a partir desse momento que o Vitória diminui a intensidade do seu jogo, permitindo que o Sporting se fosse aproximando da baliza. O guardião Miguel Silva chegou mesmo a negar o golo aos leões com três excelentes defesas. O Vitória ia então para o intervalo a vencer por 2-0 após uma primeira parte pautada por níveis de qualidade e eficácia ofensiva, bem como de solidez defensiva.
À entrada para o segundo tempo, o técnico vitoriano decidiu mudar apenas uma peça do puzzle, substituindo Zungu por Rafael Miranda. Do outro lado, Jorge Jesus decidiu fazer várias alterações e isso fez com que o Vitória passasse por um período mais complicado e recuasse o seu bloco, principalmente nos primeiros quinze minutos da segunda parte. E foi então que os autores dos dois golos foram substituídos por Rafael Martins e Sturgeon. O Sporting teve duas oportunidades para marcar mas Miguel Silva opôs-se, novamente, de forma eficaz. A poucos minutos do final, Pedro Martins decidiu lançar Ruben Oliveira e Phakamani para ocupar as posições de Celis e Hélder Ferreira, respetivamente. Mas ainda houve tempo para um terceiro golo. Numa jogada rápida, e a passe de João Aurélio, o brasileiro Raphinha carimbou uma excelente exibição com o terceiro e último golo da partida. Na flash-interview, Pedro Martins, mesmo depois do resultado, afirmou que ainda há muita coisa a melhorar, apesar de os níveis de concentração terem sido melhores em comparação ao jogo do passado domingo.
Este foi o último jogo de preparação antes do duelo da Supertaça marcado para o dia 5 de agosto. Se é verdade que em seis jogos de pré-época, o Vitória venceu cinco, também é verdade que poucos foram os reforços que chegaram à cidade-berço de modo a fazer parte do plantel para a época 2017-18. E o caso recente de Rincón ainda piorou a situação. Temos um plantel com qualidade, mas aparentemente com poucas soluções para uma equipa que vai disputar cinco competições na época que se avizinha. Nunca é demais relembrar que esta deveria ser uma época de estabilidade, de forma a que os erros do passado não se repitam. Para já, e apesar de estarmos a mais de um mês do fecho do mercado, ainda não temos nenhum jogador emprestado. Mas até lá...ainda podem acontecer muitas coisas.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Análise à primeira derrota da pré-época

O Vitória somou a primeira derrota da pré-época ao ter perdido o Troféu Cidade de Guimarães para o FC Porto, com o resultado final de 0-2. No geral, os conquistadores não protagonizaram uma boa exibição. A juntar a isso, os erros individuais foram notórios e acabaram por ser determinantes nos dois golos sofridos a meio do primeiro tempo.

Foto de Vitória Sport Clube.


O conjunto orientado por Pedro Martins alinhou de inicio com Douglas, Sacko, Moreno, Josué, Vigário, Rafael Miranda, Zungu, Tozé, Raphinha, Sturgeon e Texeira. Um onze inicial sem qualquer reforço. A primeira oportunidade de perigo - tal como as outras que se seguiram - pertenceu ao adversário. Otávio esteve muito perto de marcar à sua ex-equipa, após uma perda de bola de Sacko. Poucos minutos depois, Alex Telles cruzou para a área e Soares atirou à barra. As ameaças iam adquirindo volume e isso resultou em dois golos a serem marcados em apenas cinco minutos, à semelhança do último jogo da época anterior. Decorria o minuto 21', quando Rafael Miranda fez um passe arriscado para Moreno, Aboubakar foi oportuno ao aproveitar a escorregadela do central português, correu 30 metros com a bola nos pés e inaugurou o marcador. Como se não bastasse um erro defensivo, eis que surge um segundo cinco muitos depois. Marcano assistiu Soares que, devido a uma má abordagem defensiva de Josué, conseguiu intrometer-se entre os centrais e Douglas, desviando a bola para o segundo golo do jogo. A equipa agora liderada por Sérgio Conceição entrou na partida com um ritmo alucinante e à passagem do minuto 26' já vencia por 2-0. O ritmo baixou, mas nem assim o Vitória conseguiu assustar Casillas, ainda que seja de realçar as tentativas de longe de Tozé e Zungu. Uma péssima primeira parte sem oportunidades de perigo criadas pela formação vitoriana.
Na segunda parte, Pedro Martins decidiu lançar jogadores como João Aurélio, Celis, Hurtado, Kiko, Heldér Ferreira (estes cinco logo após o intervalo) Francisco Ramos, Estupinan e Rafael Martins. O Vitória entrou com outra atitude, mas isso não foi suficiente para abanar as redes da baliza adversária. Nem mesmo com a expulsão de André André ao minuto 52' devido a uma entrada dura sobre o peruano Hurtado. A primeira (e única) oportunidade flagrante aconteceu à passagem do minuto 61'. José Sá foi pressionado e os conquistadores recuperaram a bola, sendo que na sequência desse lance, Hurtado cruzou para Texeira e o uruguaio até conseguiu desviar a bola do guardião português, mas Felipe cortou-a em cima da linha. Mesmo em inferioridade numérica, os azuis e brancos podiam ter chegado ao terceiro golo com Ricardo Pereira a ser o principal protagonista. Com a entrada de Estupinan, o processo ofensivo dos conquistadores adquiriu mais rapidez e maior consistência, mas foi Rafael Martins que tentou a sua sorte por duas vezes com remates potentes de fora da área. A falta de concentração foi, portanto, determinante no resultado final. E mesmo com mais um jogador durante cerca de 40 minutos, o conjunto orientado por Pedro Martins não foi capaz de recuperar de uma desvantagem de dois golos. O estado do relvado não serve como desculpa, mas o que é certo é que a remodelação do tapete do estádio só foi concluída no dia anterior ao jogo e isso pode ter tido alguma influência no rendimento dos jogadores após tantas escorregadelas, tanto que logo após o primeiro golo sofrido vários foram os jogadores que mudaram de chuteiras.
A estabilidade é um dos ingredientes essenciais para a realização de uma boa época. Porém, a falta dela pode surtir os efeitos contrários aos pretendidos. Foi a primeira derrota da pré-época, mas fica a ideia de que o Vitória deveria reforçar-se com mais dois ou três jogadores, principalmente no que diz respeito às laterais. Vão ser disputadas cinco competições e o ideal seria ter um plantel estável com soluções à altura do que vai ser exigido.

E OH VITÓRIA VAMOS A ELES!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Vitória até morrer!

A cara de quem perde é muito diferente da cara de quem ganha. E a verdade é que a sorte não esteve do nosso lado. O Vitória dispôs das melhores oportunidades na primeira parte, mas o Benfica acabou por ser eficaz no segundo tempo, marcando dois golos num espaço de cinco minutos. Não conseguimos o mais importante: vencer dentro das quatro linhas e trazer o caneco. Falhámos ao tentar colocar a cereja no topo do bolo, mas não falhámos no apoio. Aliás, nesse aspeto...goleámos! Os cerca de 14 mil vitorianos que marcaram presença no Estádio Nacional foram incansáveis no apoio à equipa, mesmo debaixo de uma chuva intensa. Apoio esse que se acentuou ainda mais quando os conquistadores se encontravam a perder por dois golos de diferença. Um abafo do outro mundo!


As cidades de Guimarães e Lisboa estão separadas por cerca de 400 km de distância. Foram 220 os autocarros que transportaram milhares de vitorianos até ao Jamor, fora os adeptos que utilizaram, por opção, os seus próprios veículos. Uma multidão do Berço da Nação com vontade de reviver o ambiente festivo da Prova Rainha, com vontade de repetir o feito histórico de 2013. Só não foram mais porque não deixaram. Esses lá tiveram que ficar pelo Toural...

Rescaldo do jogo:

Faltava ainda uma hora e meia para o início do jogo e a bancada destinada aos vitorianos, a do topo sul, já estava completamente cheia. Pedro Martins decidiu fazer duas mudanças relativamente ao "onze" que apresentou no Estádio da Luz: Miguel Silva entrou para o lugar de Douglas e Raphinha 'roubou' o lugar a Texeira, deslocando Marega para o meio, como ponta de lança.
A primeira jogada ofensiva até pertenceu ao Vitória com um remate desenquadrado de Hurtado aos 2 minutos. Luisão, na sequência de um livre batido por Pizzi, tentou responder, naquela que foi a única ocasião de golo dos encarnados no primeiro tempo. O número de faltas cometidas ia aumentando e o jogo ia aquecendo aos poucos... Bruno Gaspar e Marega foram amarelados a meio da primeira parte. O primeiro mal exibido. O segundo bem mostrado, até porque Marega acabou mesmo por lesionar Fejsa, dando lugar a Samaris (um jogador que nem convocado deveria estar).
Hernâni esteve perto de inaugurar o marcador com um pontapé de bicicleta. Na sequência desse lance, Raphinha cruzou para a área e o cabeceamento de Rafael Miranda passou a centímetros da baliza de Ederson. À beira do intervalo, Hurtado lesionou-se e acabou por ser substituído por Celis. Uma primeira parte intensa, mas nem sempre bem jogada, com muitas cautelas defensivas, de parte a parte. Ainda assim, o Vitória merecia ter ido para o intervalo com outro resultado porque fez 45 minutos irrepreensíveis, com critério nas saídas, faltando apenas o tal sucesso no último passeAlgo que, a acontecer, levaria Pedro Martins a adotar uma outra estratégia no que restaria do jogo.
Na segunda parte, uma má entrada da formação vitoriana acabou por ter influência direta no resultado final. O sonho descambou em cinco minutos. Aos 48', Jonas rematou de longe para uma defesa incompleta de Miguel Silva e Jimenez, na recarga, picou a bola sobre o guardião português. Cinco minutos depois, Nelson Semedo teve todo o tempo do mundo para cruzar para a área onde apareceu Salvio que cabeceou para o 2-0. Um enorme murro no estômago. À semelhança dos jogos mais recentes com o Benfica, após um golo sofrido, vinha outro logo a seguir. Foi assim em Guimarães e na Luz.
Pedro Martins arriscou tudo o que tinha. Konan foi substituído por Texeira, já Sturgeon substituiu Hernâni devido a (outra!) lesão. Substituições que davam a entender que o Vitória iria passar a jogar em 3-5-2 ou 3-4-3, com Rafael Miranda a fazer de central. O Vitória tentava tirar proveito das bolas paradas... Um livre direto cobrado por Marega passou a rasar o poste da baliza dos encarnados. Minutos depois, Jonas, a passe de Grimaldo, esteve perto de fazer o terceiro, tendo atirado a bola à barra.  Decorria o minuto 76', quando Raphinha trocou as voltas a Nelson Semedo e ofereceu a bola a Texeira, sendo que Samaris chegou a tempo de cortar a bola para canto. Na sequência desse lance, Raphinha cruzou para a área, Zungu apareceu solto e reduziu para o 2-1. Um golo que fazia renascer a esperança, marcado precisamente no mesmo minuto que o primeiro da final de 2013.
Quatro anos depois, finalmente lá conseguimos marcar ao Benfica. No entanto, não foi suficiente para levar o jogo para prolongamento. Pizzi e Jimenez tiveram uma oportunidade para sentenciar a partida e não conseguiram. Na reta final do encontro, o Vitória tentava chegar à área dos encarnados, mas quase sempre sem sucesso. De realçar a exibição de Bruno Gaspar, excelente em todos os aspetos. Os conquistadores não tiveram a sorte de chegar ao empate, com o intuito de levar o jogo para prolongamento. Mas voltaremos lá... Em breve! O árbitro Hugo Miguel fez uma boa arbitragem e o video-árbitro apenas confirmou as suas boas decisões, no que diz respeito aos dois lances mais contestados.



Nota final:

Mal suou o apito de Hugo Miguel, vários jogadores do Vitória caíram sobre o relvado, enquanto choravam compulsivamente. Porque sofreram muito para lá chegar! Porque sabiam que tinham um plantel à altura de conquistar o troféu! Porque era um sonho de todos os jogadores, equipa técnica, direção e, especialmente, adeptos! O momento mais alto da tarde foi o brutal apoio que os vitorianos deram ao seu clube do coração, quer enquanto perdiam, quer quando o jogo terminou. Debaixo de chuva, o ambiente protagonizado no topo sul foi sensacional. A frase épica de Carlos Daniel "Eles (adeptos) tornaram-se ídolos dos seus ídolos" não podia fazer mais sentido... O próprio Pedro Martins disse que o dia ficaria na memória dos jogadores, não pela derrota na final, mas sim pela reação dos adeptos que entoaram vários cânticos no final do jogo e, também, pelo Viking-Clap protagonizado por adeptos e jogadores. Não se festejou uma derrota, como é lógico. Foi um agradecimento devido à época realizada. Uma demonstração de fidelidade a um só emblema, na glória ou no inferno.
Durante o jogo, uns só cantavam quando marcavam, outros cantavam como se não houvesse amanhã, independentemente do resultado. Nós, adeptos do Vitória, merecíamos a Taça! O percurso feito até ao Jamor assim o exigia. Mas uma coisa é certa, tanto os jogadores, como a massa associativa, deram tudo o que tinham a dar. Infelizmente, não foi possível repetir o feito histórico de há quatro anos atrás. Júlio Mendes, em declarações aos órgãos de comunicação social, não teve receio em afirmar que no próximo ano o Vitória iria marcar nova presença no Jamor (que assim seja!), acrescentando ainda que podemos não ser o maior, mas sim o melhor clube de Portugal. Nota ainda para o fair-play da equipa do Vitória, ao assistirem à entrega do troféu ao adversário. Algo que, há quatro anos atrás, não aconteceu com o plantel do Benfica enquanto, lá em cima, os conquistadores erguiam a primeira Taça de Portugal da história.
Os milhares de vitorianos que se deslocaram a Lisboa saíram do estádio encharcados, e também desiludidos com o resultado final, certamente... Mas com a convicção de quem faria 400 km (800 no total) novamente. Mesmo que lhes dissessem que ia chover e que iam perder o jogo. Não somos adeptos de vitórias, mas sim do Vitória. Grandes são aqueles que não precisam de títulos para arrastar multidões. E o Vitória é um dos melhores exemplos disso mesmo. O único em Portugal. O "el mito" não para de surpreender... Preparem-se, isto não fica por aqui!

ACONTEÇA O QUE ACONTECER, SOU DO VITÓRIA ATÉ MORRER!